Um país de "velhos"

11:24 / Publicada por Bruno /


Há pouco dias, surgiu uma notícia, de um inquérito alimentar realizado pela Deco que revelou  existirem pelo menos 40 mil idosos em Portugal sem dinheiro para comer e que o custo dos alimentos é uma das razões para estas pessoas não consumirem alimentos mais saudáveis.
Os autores da investigação apuraram mesmo que três por cento dos inquiridos passou fome na semana anterior a responderem a estas perguntas. Entre os motivos que os idosos apresentam para comer mal estão os problemas dentários (35 por cento), as dificuldades económicas (24 por cento), a falta de apetite (13 por cento) e os medicamentos (12 por cento).
Eu pergunto-me! Serão só 40 mil idosos? Isto não será uma minoria da realidade social da 3ª idade em Portugal? No âmbito deste estudo, na terça feira, partcipei num programa da RTPN que debatia esta questão! Perguntava-se o que a população achava do facto de muitos idosos terem uma alimentação pouco saudável e equilibrada? Nesse mesmo programa, o entrevistado era uma engenheira alimentar que falou somente de como os idosos se deviam comportar com o pouco dinheiro de que dispunham! Eu questionei-me! Uma engenheira alimentar? Será que este assunto não é muito mais abrangente?
Este estudo enquadrou uma variável que foi a questão da alimentação mas então, e a variável das pensões, e o gasto nos medicamentos, a solidão, os problemas relacionados com a falta de assistência médica, a falta de equipamentos de apoio como lares e apoio domiciliário, entre outros factores que podiam explicar melhor a realidade sócio-económica da população envelhecida. Mais uma vez pergunto-me a mim e a si! Esta questão não é muito mais abrangente? Será que os idosos alimentam-se mal porque querem? ou serão os factores externos que os limitam? Será que um idoso que tem 200 euros de reforma e que ainda paga renda de casa, medicamentos, água, luz e gás, pode alimentar-se convenientemente? Eu penso que esta questão devia ser debatida não só, por uma engenheira alimentar mas também, por técnicos de intervenção social, por médicos e principalmente pelo estado... Ir ao fundo da questão...
A diminuição da taxa de natalidade e o aumento do número de idosos nos últimos anos demonstram a urgência em se discutir cada vez mais estas questões do envelhecimento, que vem, ao longo da passagem dos anos, sofrendo metamorfoses constantes. Não nos podemos esquecer que estamos a caminhar, a passos largos, para ser-mos um "país de velhos"

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